quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Rebeldia

Vou vestir minha calça mais larga
Só pra sentir o toque leve da liberdade
Equilibrar-me no meio-fio
Como criança entediada em dia de domingo
Vou decorar toda a cidade com denúncias sobre a verdade.
Desisti dos versos medidos!
Farei poesia até para os menos entendidos.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Falando em nome de Deus ...


Ainda não sei se escrevo por amar demais ou se amo demais para poder escrever. Sei que é o amor responsável pelas linhas que crio, sejam elas histórias, sejam apenas devaneios, sejam verdade ou pura imaginação. É tudo culpa do amor. Aquele que eu escolhi como meu onipresente e onipotente senhor. Por ele eu me humilho, me subjugo, sacrifico, obedeço, enfrento. Por ele eu canto e silencio, choro, sorrio e clamo. 
Pode-se dizer que é uma relação de fé às vezes. Ele é um tanto quanto abstrato. No entanto, realiza milagres para se concretizar. 
Sou dele pela fé e pelas obras. Por completo. Cumpro as penitências dos meus pecados, mas não por ordem. Meu senhor nada ordena. Elas vêm como consequência e eu as aceito, porque por ele, com ele e nele eu sou todas as coisas.

E esse, como mais um de meus devaneios, trouxe-me uma conclusão. Não importa qual seja o ser que nós seres humanos temos como superior, no final das contas o tratamos sempre da mesma maneira: submissos.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Aaaah... faz-me rir burguesia elitista. Faz-me de rir de cólera!


Hoje, a beira da madrugada eu ouço de um burguês acusado e já preso outrora por fraude, durante pouco tempo é claro(sem maiores detalhes), que o ex-presidente Lula nada fez a não ser abrir as portas para uma corja de ladrões, e que por isso ele se via indignado com os rumos que o país estava levando, afinal estamos elegendo ladrões(sabe? essas pessoas que roubam por meio de ameaça, furto ou fraude). No mesmo momento quis interpelar essa indignação dele, apenas para que não ficasse sobrecarregada toda em cima de um réu, afinal uma corja de ladrões não se faz com uma única espécie. Mas, ao declarar que uma das épocas em que mais se teve roubo no nosso amado Brasil foi o período do regime militar, responsável pelo tão sonhado milagre econômico, claro, como as pessoas bem esclarecidas já sabem, às custas da fome e exploração de outras regiões que não eram e nunca serão o sul e sudeste do país, tive que escutar deste homem, com o peito cheio: eu tenho saudade da ditadura militar! E em resposta ao seu suspiro, ao meu lado, sentada com todos os seus penduricados, e com o semblante estático de plásticas, a esposa do dono do motel mais famoso da cidade suspirar em resposta, dizendo que foi a melhor época que o Brasil viveu.
A indignação me mordeu. Como que em uma casa onde só se toma Black Label, comia-se até alguns minutos atrás um risoto de frutos do mar a beira de uma piscina tratada semanalmente por piscineiro contratado, em um jardim cuidado com paisagismos e cheio de papagaios, araras, jabutis e outros animais silvestres domesticados com tanto carinho pelo proprietário, como em um lugar com pessoas tão bem instruídas pela educação particular, com seus filhos bem encaminhados, alguém pode ter uma ideia tão errada sobre a história do próprio país? Foi ai que percebi o tamanho da minha ingenuidade. Percebi que talvez a opinião fosse realmente uma questão de ponto de vista. E que poucos se davam ao trabalho de realmente conhecer as coisas antes de formular ideias sobre elas. Afinal, por que um carioca da gema, com seu sotaque tão bem pronunciado nos seus discursos eloquentes sobre política, cultura e – por que não? – religião, teria que conhecer a realidade do nordeste do Brasil, região tão sem importância, no período de 1964 à 1985? Por que ele ou qualquer outro morador das regiões privilegiadas deveriam procurar saber quem foram os heróis que resolveram a inflação e outros graves problemas econômicos brasileiros da época? É bem melhor suspirar de saudade dos militares que nunca enriqueceram às custas do Brasil e deram o seu sangue pelo país. Tudo isso muito bem escrito nas pesquisas dos historiadores, não é mesmo?!

[ SÓ QUE NÃO!]

Tentei erguer minha voz firme de adolescente que garimpa todos os dias as verdades sobre o mundo, mas, a experiência adquirida com os anos, essa experiência ignorante que lhe deu seus cabelos brancos aumentaram o volume da voz do meu amigo ostentando suas sábias opiniões como verdades absolutas. Outras vozes mais tímidas lhe deram razão. A esposa do senhor, com o cachorro maltês, cheirando a petshop, no colo também expressou sua nostalgia pelo regime militar, e a repugnância aos ladrões petistas espalhados por esse governo que já dura quase 12 anos. Eu já tinha feito essa reflexão diversas vezes. Muitos partidários petistas estão sendo julgados. Mas, também não nos devem uma resposta a casos mais antigos os tucanos e outros de partidos mais insignificantes. Digo insignificantes porque tenho descoberto que há dois partidos realmente “significantes” para os eleitores neste país, situação que deve agradar bastante meu amigo amante da farda, pois lembra 1964. Mas, pelo visto minha reflexão é inútil, pois ladrões mesmo são aqueles que vestem vermelho e tiram do imposto de renda desse pobre profissional liberal, que deve ganhar seus míseros 20 mil por mês, 20 reais para distribuir uma tal de bolsa família para quem ocupa, na hierarquia de classes, muitos degraus abaixo do dele.
Meu rosto corou de desespero. Eu precisava alerta-los que eles não sabiam do que falavam. Foi quando eu me dei conta que na verdade eles não queriam saber. Fiquei indignada, CLARO! Mas, lembrei que eu estava tentando uma discussão com um ex-preso e atual acusado por fraude, uma dona de motel e por aquela moça com o cachorro no colo.
Por um momento amei cada pessoa que passa perto de mim com o volume do carro no último escutando o funk mais ouvido da semana, o sertanejo mais cantado. Amei essas pessoas que assumem a própria ignorância mesmo que de forma inconsciente. Amei cada um que eu critiquei pelos seus gostos populares e vazios, porque eles fazem parte da massa e votam, mesmo que quase cegos, pela massa, por aquilo que forma isso que a gente chama de povo. E odiei com todas as minhas forças aquela burguesia que até que louvava os clássicos da MPB, Chico, Caetano, Milton, liam bons livros, assistiam globo, mas também a TV a cabo. Odiei com todas as forças cada um deles que diziam conhecer o que de melhor havia nesse país e nos outros, mas, nunca, e eu afirmo e comprovo se for preciso, nunca sentiram ou foram nem por um segundo verdadeiros brasileiros.



Agora, se me dão licença, está tarde. Depois de desabafar com o mundo virtual vou copiar a lista de compras que minha mãe me delegou. Estamos perto do dia 10, precisam ver como os mercados da periferia ficam abarrotados. E o que é melhor, abarrotados de BRASILEIROS!

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PS: Perdoem alguns erros e confusões textuais. A raiva e a indignação são péssimas revisoras gramaticais.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Minhas cantigas de roda hoje eu canto assim...



Se eu fosse um menino e soubesse sonhar
Eu sonhava contigo até acordar
Mas não sou menino e mal sei amar
Será que você ainda vai me gostar?








Se a escolha dessa rua fosse minha
Eu ficava por aqui a beira-mar
Mas o rumo do navio é oceano
E ao partir não se pode mais voltar.






pra onde eu fui?
  aqui a água também não é doce
  o sol também arde
  pra onde eu fui e não posso parar. 


terça-feira, 2 de outubro de 2012

LiBeRdAdE

Às vezes eu gosto de não terminar um cigarro. Só pela liberdade de não querer terminá-lo.
Paguei caro! Nesse mundo onde liberdade é regalia, mas é meu. E eu fumo até onde quiser.

[ E TENHO DITO ]

domingo, 30 de setembro de 2012

Ato Penitencial


Não sei brincar de ser adulta, sensata.
Não tenho escrúpulos. Bem pouca dignidade. Sou mesquinha, egoísta.
Faço papéis ridículos. Exijo o que não tenho direito e choro de covardia.
Dentre os canalhas, eu sou o pior.
Entrego minha alma e cobro o que devedor não pediu.
Recordo defeitos pra compensar meus erros.
Eu incomodo e atrapalho com consciência.
Acredito nos falsos elogios e construo falsas ideias de mim.
Até teve quem me amasse. Tem quem ame, mas, se soubessem o quanto custa... e eu não tenho o escrúpulo de alertar.
Sem querer, ou querendo, acredito nos que me defendem por pena, que é a única defesa que me cabe.

Sou vil! Como foi o Álvaro do Pessoa.
Só não estou cercada de príncipes porque não tenho a honra de admiti-los como tais.
Morrerei cercada de entes queridos que nunca permitirão à qualquer sábio dar razão a essa minha confissão.
Chorarão. Claro que sim. E eu, cada vez mais do fundo, vou gargalhar de tristeza por essa santa ingenuidade.
Deixem-me ir que nada de bom se vai.
Poupem-me dessa piedade ao menos no fim. Que a pena é quase tão vil quanto eu.
Não guardem nada. Dêem tudo aos pobres para eu ter a chance ter sido quase bom em algum momento.
E durmam tranquilos. Não me atreverei à assombrações. Minha inconveniência se vai com a morte. 
Vou buscar a redenção na possibilidade da inexistência.

sábado, 29 de setembro de 2012

Pode ser verdade, por contar


“ Deus criou todo o mundo, mas a Holanda foi criada pelos holandeses. “ (Desconheço o autor)

Ouvi dizer que era uma terra coberta por água, tomada pelo mar. Mas os seres humanos que cá vivem Decidiram viver aqui. Transportaram a água e tomaram seu lugar. Domaram-na e também por ela foram domados até descobrirem que o respeito é a melhor forma de se relacionar.
Prometeram-me flores, mas vi poucas. Tudo bem. A história me encantou. Aqui se dizem um povo livre. Acredito porque me dizem, e talvez o sejam por dizer. Dar-me-ei ao luxo de contar uma história que talvez seja verdade apenas porque a conto:

Haviam dito que nos seriam apresentados os frutos proibidos, no outro mundo. Ainda não tenho certeza se criei expectativa. Conheceríamos as drogas e as putas da Holanda. “Drogas” me parece um termo hipócrita, mas “puta” parecia-me, pelo menos até hoje, bem acertado.
O caminho era longo. Outras belezas se espalhavam por esse país encantadoramente estranho. Muita gente. O que em sinceridade não me agrada. Alguns passavam habitualmente, outros fingiam encantos, ou se encantavam mesmo, não me preocupei em lhes observar a autenticidade. Eu procurava flores. Prometeram-me que elas cresciam aos montes, belas e livres. Não sei se foi mentira ou ilusão alheia, mas eu tive que me esforçar na procura.
Meu corpo já estava cansado, se eu resguardava expectativas elas com certeza me escorregaram dos bolsos. Já estava andando com os olhos baixos. E observando minha expressão corporal, acredito que o universo teve compaixão. Encontrei a flor, em artigo determinado, pois sei que era aquela que no fundo eu esperava encontrar entre milhares. As milhares não vieram, mas ela foi fiel. Jogada no asfalto cotidiano. Não sei de onde veio. Se caiu de um cesto, se cresceu ali e se quebrou ou se caiu do céu. Sei que estava lá. Linda. Viva. Vermelha. Livre. Desviando sem esforço todos os passos desinteressados, mantendo-se viva. Mas, observei uma possível incoerência, pois a ela eu concedi toda a minha atenção. Assim como eu com meus olhos baixos de cansaço ela deixava escapar de si uma tristeza involuntária. Talvez por ser demasiadamente livre e, portanto, solitária.

Tomei uma corajosa decisão. Parar no meio da rua que passava com pressa e fazer do ser daquela flor ruborosamente viva um breve estar: a colhi! Nos abraçamos como dois queridos reencontrados. Quando me dei conta eu estava diante das drogas e das putas.
A rua era comprida, dividida por um canal como é por toda parte aqui. Tudo muito amontoado: cores, cheiros, sons e até as vontades. Parecia que todos ao mesmo tempo buscavam a liberdade esguia naquele asfalto cru. De minha parte, não me senti mais livre nem menos também. As putas ficavam dispostas em vitrines, exibindo seu produto, à espera de um desejo que se desamontoasse e a viesse convidar. Havia poucas, quase nenhuma, puta. Vitrines eu vi aos montes, porém vazias, pedindo aos meus olhos um significado.
Dei aos meus passos o consentimento para seguirem distraídos enquanto me dedicava à flor que eu tentava chamar de minha. E tão distraidamente meus pés obedeceram que eu subi quatro degraus de uma charmosa soleira sem perceber. Só percebi quando meu corpo tocou desastradamente aquela, pra mim ainda, puta:

- Perdão! – assustada.

Ela não respondeu. Olhou-me esguia como quase nem se olha. Manteve a face voltada para algo que parecia uma procura, ou espera. Acelerei meus movimentos desencontrados para escapar àquela cena, mas a ingênua curiosidade me conteve:

- Você não está em uma vitrine...

Recebi um sorriso sem seu olhar. E por esse instante me dei conta que eu dentei meus olhos sobre ela com seu corpo desnudo, paradoxalmente vestido de puta. Não sei quanto tempo me demorei olhando e nem se ela se incomodava, mas a inércia da situação me impulsionou uma atitude. Estendi-lhe a mão que guardava a flor:

- Isso não serve para pagamento. – sorrio com desdém, de lado.

- Estava no chão. – minha voz eram cacos.

Silêncio.

- Não me pertence. – quebrei.

- Nem a mim.

- Pode pertencer se você aceitar. – os cacos se juntaram firmes.

Pela primeira vez ela me olhou, e eu olhei seus olhos em resposta. Dessa vez ambas sorriram, pelo olhar.
Ela me convidou para entrar. Eu disse que não podia pagar. Ela deu de ombros. Eu sorri com os lábios. Ela segurou minha mão. Eu senti a pele morna. Ela me puxou pra perto. Eu me ergui nos pés e beijei-lhe a face. Ela fechou olhos e respirou fundo. Eu me demorei no beijo, apertei-lhe a mão e me fui. Ela aceitou a flor, chorou e não trabalhou aquele dia.
Depois disso, pra mim, mesmo nos dias de trabalho, ela não era mais puta. Era mulher.