terça-feira, 23 de agosto de 2011

Tenho me sentido indesculpavelmente assim ...

As vezes me deparo com um poeta que um dia escreveu tudo o que sinto sobre mim ... 





Poema em Linha Reta


Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.


E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.



( Fernando Pessoa ) 

sábado, 20 de agosto de 2011

Falando em coisas fofinhas....


É uma mania que eu tenho

Quase um vício,
Sair por ai te procurando
Sem saber por que caminho
Sem me importar onde vai dar.
É inevitável
Ter uma esperança no meio da multidão.   Olhar pra todos os lados
E se encontrar o teu olhar       Acelerar meu coração.



sexta-feira, 12 de agosto de 2011

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Nada concreto

Pensei em dizer nada pra ver se pega,
Se paga a passagem pra longe daqui.


Pensei em dizer tudo,
Meu tributo por todos os direitos de ser.


Não pensei! 
Assim já pensando que o não pensar compra a solução.


Agora estou sem idéias.
E durante as tréguas das grandes guerras ou se fazem planos, ou se fazem pazes!


Sem muita conclusão do que ainda não chegou ao fim....

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Releitura


Re-ler os próprios versos é tão importante quanto re-ler o próprio tempo.
A diferença é que os versos se permitem mudar.


domingo, 10 de julho de 2011

Pra quem sente ...


Ministério da saúde também adverte: guardar amor e outros sentimentos causa blecaut total do ser.

One day I wish to give you more than a piece of my sadnees.
You know my words for you  (L)